HOMENAGEADO

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player


   
 
DEPOIMENTOS DOS AUTORES


   
 
CANAIS FLIPORTO
 


   
 
VISITA POR PAÍSES
Aferido a partir de jun/2009
free counters
   
 
  Principal » HOMENAGENS

JOÃO CABRAL DE MELO NETO

Mário Hélio    

       Ele era magro. Mas não parecia sempre de perfil, como na descrição de Vargas Llosa para o Conselheiro. Era guenzo como os sobrados-severinos do Recife, como os tantos rios de Pernambuco que parecem estar por um fio. E/reto. Nem alto nem baixo.   

       Fugiu da poesia como o diabo do lirismo. Não houve jeito. Enredou-se nela. E a fez. Como quis. Arquitetura. Engenharia. Pintura. E música? A palo seco. Como o seu nome comprido/cadenciado em pedra, em sucessões aboiadas em ós e ás e és: João Cabral de Melo Neto.  

       De tanto se criticar e reelaborar tudo o que construía, projetava, pintava com palavras até parece o Heautontimoroumenos (o carrasco de si mesmo) de Terêncio.   

       Tudo o que escreveu foi pensando-o como “cosa mentale”. Não admira que uma dor de cabeça o haja perseguido – obsessivamente – por quase toda a vida. Muito jovem ingressou na carreira diplomática. Ganhou – perdeu – o mundo; perdeu – ganhou – a sua província para sempre como visgo na memória.  

       1920. Nasceu no Recife, cidade cheia de vaidades e pudores como logo notaram e espelharam seus primos i-lustres Manuel Bandeira e Gilberto Freyre.   

Pelos vinte anos, a sua poesia floresceu (floresceu? Como as flores meio apodrecidas de Baudelaire e as suas antiodes). Pedra do sonoOs três mal amados e O engenheiro são seus três primeiros livros. Meio afrancesados num tempo em que a vida literária brasileira era pouco mais do que isso. Mas veio a poesia com um cerebralismo mais à Valéry que à Mallarmé (apesar deste constar primeiro como epígrafe). Embora haja muita coisa “datada” ali, o que escreveu nesse tempo já insinuava a beleza árida que por fim vai marcá-lo.  

       A Espanha o redefine. Na verdade, o define. Psicologia da composiçãoO cão sem plumas,O rio são degraus já muito sólidos do seu antilirismo, pleno de emoção (na verdade, prenhe de uma tensão de corda a ponto de arrebentar-se; represa que já não cabe em si de tão grávida).   

       Isso se enriquece e se concretiza ainda mais em Paisagens com figurasMorte e vida severina e Uma faca só lâmina. É a Espanha com seus touros e cantaores que lhe transplanta a voz e enche a sua boca de pedras e substitui seus ossos por facas. A voz e os ossos da poesia com fôlego de fogo em Quaderna, Dois parlamentosSerial.   

       Política, metalinguagem, erotismo, humor – palavras-chaves de sua poesia. Pode-se ainda soletrar de cor os nomes dos seus outros livros: A Educação pela pedraMuseu de tudo, A escola das facasAuto do frade, Agrestes, Crime na calle RelatorSevilha andando Andando Sevilha.   

       Qual o seu melhor livro? As massas (se é que as há para a poesia, como desconfiava Maiakovski) verão na secura de Morte e vida severina o seu biscoito mais fino. A crítica talvez diga que é A educação pela pedra. Cada um dirá do seu. Em todos os melhores, de algum jeito, respiram aquela Espanha-Pernambuco e aquele Pernambuco-Espanha que como os rios Capibaribe e Guadalquivir integram a mesma “maçonaria”, pois, ele, que se propunha tão no extremo do anticonfessional, certa vez confidenciou em versos:  

       “Só duas coisas conseguiram/ (des)feri-lo até a poesia:/ o Pernambuco de onde veio/e o aonde foi, a Andaluzia./ Um, o vacinou do falar rico/ e deu-lhe a outra, fêmea e viva,/ desafio demente: em verso/ dar a ver Sertão e Sevilha.”


PRINCIPAL
SOBRE A FLIPORTO
AUTORES/PERFIS
HOMENAGENS
CONGRESSO LITERÁRIO
OFICINAS
ESTRUTURA DO EVENTO
FLIPORTO CRIANÇA
FLIPORTO DIGITAL
III PRÊMIO INTERNACIONAL POESIA AO VÍDEO
II PRÊMIO LITERATURA NO CELULAR
ESPAÇO CASA LATINO-AMÉRICA
CIRCUITO GASTRONÔMICO
TRIBUNA LIVRE
CASA JORNAL DO BRASIL
CASA UBE PE
FLIMARACA
LANÇAMENTOS E AUTÓGRAFOS
CINE FLIPORTO
FLIPORTO É NOTÍCIA|BLOG
MAPA DO SITE
PATROCINADORES e COLABORADORES
EDIÇÕES ANTERIORES